Perda auditiva com a idade: é normal deixar de ouvir bem?
“É da idade.”
É uma frase que se ouve muitas vezes quando alguém começa a aumentar o volume da televisão, a pedir para repetir ou a ter dificuldade em acompanhar uma conversa.
E existe alguma verdade nela: a audição pode mudar à medida que envelhecemos.
A perda auditiva relacionada com a idade é conhecida como presbiacusia e é uma das alterações auditivas mais frequentes nos adultos mais velhos. Normalmente desenvolve-se de forma gradual e tende a afectar os dois ouvidos. Instituto Nacional de Surdez
Mas há uma diferença importante entre dizer:
“É frequente acontecer com a idade.”
e dizer:
“É da idade, por isso não vale a pena fazer nada.”
Não são a mesma coisa.
Quando começamos a ouvir ou perceber pior, vale a pena avaliar o que está a acontecer — independentemente da idade.
O que é a presbiacusia?
Presbiacusia é o nome utilizado para a perda auditiva associada ao envelhecimento.
Ao longo dos anos podem ocorrer alterações em diferentes partes do sistema auditivo, incluindo o ouvido interno e as vias responsáveis por transportar e processar a informação sonora. A exposição acumulada ao ruído, factores genéticos, algumas condições de saúde e determinados medicamentos também podem contribuir para a audição que temos numa idade mais avançada. Instituto Nacional de Surdez
Ou seja, não existe necessariamente uma única causa.
A audição aos 70 anos resulta de uma combinação entre o envelhecimento do sistema auditivo e tudo aquilo a que os nossos ouvidos estiveram expostos ao longo da vida.
A partir de que idade começa a perda auditiva?
Não existe uma idade exacta em que alguém passa subitamente a “ouvir pior por causa da idade”.
As alterações são muito variáveis entre pessoas.
Há quem mantenha uma audição bastante preservada durante muitos anos e há quem apresente alterações mais cedo.
O que sabemos é que a prevalência da perda auditiva aumenta claramente com a idade. A Organização Mundial da Saúde estima que mais de um quarto das pessoas com mais de 60 anos apresenta perda auditiva incapacitante. Organização Mundial da Saúde
Por isso, a idade aumenta a probabilidade de existir uma alteração auditiva.
Mas idade, por si só, não nos diz como uma determinada pessoa ouve.
Para isso é necessário avaliar.
Porque é que posso ouvir as pessoas mas deixar de perceber algumas palavras?
Esta é uma das características que mais confundem quem começa a apresentar uma alteração auditiva relacionada com a idade.
A pessoa pensa:
“Eu ouço perfeitamente que estão a falar.”
E é verdade.
O problema é que ouvir a presença de uma voz e compreender todos os sons dessa voz são coisas diferentes.
A perda auditiva relacionada com a idade tende frequentemente a começar por afectar mais as frequências altas. Essas frequências transportam informação importante para distinguir determinados sons da fala. Publicações ASHA
Assim, pode acontecer algo aparentemente contraditório:
ouve a voz;
percebe grande parte da frase;
mas perde pequenas partes das palavras.
É daí que surge tantas vezes:
Porque parece que toda a gente começou a falar para dentro?
Porque nem todos os sons da fala têm a mesma intensidade nem ocupam as mesmas frequências.
Quando determinadas pistas sonoras deixam de ser facilmente detectadas, a voz pode continuar suficientemente audível enquanto algumas palavras parecem menos definidas.
É frequente a sensação de que:
- as pessoas já não articulam;
- os actores da televisão falam demasiado depressa;
- os filhos falam baixo;
- os netos “comem as palavras”;
- ou toda a gente começou a murmurar.
Nem sempre é a voz da outra pessoa que mudou.
Pode ter mudado a forma como alguns sons estão a chegar até si.
Porque se percebe pior quando há várias pessoas?
Uma conversa a dois, numa sala silenciosa, é uma tarefa relativamente simples.
Num jantar de família, tudo muda.
Uma pessoa fala de um lado.
Outra responde do outro.
Há pratos, televisão, cadeiras, música ou conversas simultâneas.
O sistema auditivo precisa de identificar aquilo que interessa no meio de todos esses sons.
A dificuldade em compreender fala em ambientes acústicos complexos é uma queixa particularmente frequente entre adultos mais velhos e pode ser influenciada tanto pela audição como por outras alterações relacionadas com o envelhecimento do processamento auditivo. Publicações ASHA
É por isso que alguém pode dizer:
“Em casa ainda ouço bem. Num restaurante já não consigo perceber nada.”
Quais são os sinais mais frequentes?
Como a alteração costuma desenvolver-se lentamente, os primeiros sinais podem parecer pouco importantes.
É possível começar a:
- pedir para repetir com maior frequência;
- aumentar progressivamente o volume da televisão;
- perceber pior quando várias pessoas falam;
- ter dificuldade em seguir diálogos na televisão;
- perceber melhor quando consegue ver o rosto da pessoa;
- ter maior dificuldade quando alguém fala de outra divisão;
- perder partes das chamadas telefónicas;
- sentir que as pessoas não articulam;
- escolher lugares mais silenciosos;
- sentir cansaço depois de conversas prolongadas.
Por vezes são os familiares que notam primeiro.
A própria pessoa já se habituou a compensar.
O NIDCD salienta precisamente que, como a perda relacionada com a idade tende a ser gradual, algumas pessoas não se apercebem imediatamente da redução da sua capacidade auditiva. Instituto Nacional de Surdez
“Mas eu ainda ouço perfeitamente os pássaros, a campainha e o carro.”
Pode acontecer.
Uma perda auditiva não significa obrigatoriamente deixar de ouvir todos os sons.
Pode afectar frequências diferentes de formas diferentes.
Pode também tornar determinadas situações muito mais difíceis do que outras.
Por isso, utilizar um único som como teste — a campainha, o relógio, a televisão ou alguém a falar muito perto — não permite concluir que a audição está normal.
É uma das razões pelas quais num teste auditivo são avaliadas várias frequências e cada ouvido separadamente.
A perda auditiva com a idade afecta sempre os dois ouvidos?
A presbiacusia apresenta-se tipicamente nos dois ouvidos. Instituto Nacional de Surdez
Isso não significa, no entanto, que qualquer perda auditiva que surja numa pessoa mais velha seja automaticamente presbiacusia.
Uma pessoa pode ter cerúmen.
Uma alteração do ouvido médio.
Uma diferença significativa entre os dois ouvidos.
Ou outra causa de perda auditiva.
Por isso, dizer simplesmente:
“Tem 70 anos, é normal ouvir pior.”
não substitui uma avaliação.
A idade é uma informação.
Não é um diagnóstico.
Quando existe indicação, os aparelhos auditivos são uma das soluções que podem ser consideradas.
E se ouvir muito pior de um ouvido?
Uma diferença evidente entre os ouvidos merece ser avaliada.
A perda auditiva relacionada com a idade tende geralmente a ser bilateral, pelo que uma assimetria importante pode justificar investigação adicional dependendo dos resultados e dos restantes sintomas.
Se sente que utiliza sempre o mesmo ouvido ao telefone, posiciona determinadas pessoas de um lado específico ou percebe uma diferença recente entre direita e esquerda, deve referi-lo durante a avaliação.
É possível prevenir a perda auditiva relacionada com a idade?
Não é possível controlar todos os factores envolvidos no envelhecimento auditivo.
No entanto, existe uma parte sobre a qual podemos actuar: a exposição a ruído excessivo.
Proteger a audição perante sons intensos, reduzir o tempo de exposição e utilizar protecção auditiva adequada quando necessária pode ajudar a evitar a componente de perda auditiva induzida pelo ruído que se vai acumulando ao longo da vida. Instituto Nacional de Surdez
Cuidar da audição não começa aos 70 anos.
Começa muito antes.
Então ouvir pior com a idade é “normal”?
Talvez a melhor resposta seja:
é comum, mas não deve ser ignorado.
Há alterações associadas ao envelhecimento que são frequentes.
Isso não significa que tenhamos simplesmente de aceitar as dificuldades que provocam sem as avaliar.
A perda auditiva pode afectar situações tão quotidianas como:
falar com a família;
acompanhar uma consulta médica;
ouvir uma chamada;
perceber alertas;
participar num jantar;
ou acompanhar uma conversa em grupo.
A Organização Mundial da Saúde salienta que uma perda auditiva não abordada pode interferir significativamente com a comunicação e participação social. Organização Mundial da Saúde
Por isso, a pergunta mais útil não é apenas:
“Isto é normal para a minha idade?”
É:
“Isto está a dificultar a minha vida?”
É preciso esperar até a perda ser grande?
Não.
Aliás, esperar até sentir que “já não ouve quase nada” pode significar passar anos a adaptar comportamentos a uma dificuldade que poderia ter sido avaliada muito antes.
Pode começar apenas com:
“Perco uma palavra de vez em quando.”
Depois:
“Não gosto de restaurantes porque não percebo ninguém.”
Depois:
“Já prefiro não ir.”
É precisamente por a evolução poder ser lenta que vale a pena avaliar quando começa a existir uma mudança consistente relativamente àquilo que era normal para si.
Como se confirma uma perda auditiva relacionada com a idade?
A avaliação começa por perceber aquilo que sente no quotidiano e o seu historial auditivo.
Depois podem ser realizados testes que permitam medir a audição dos dois ouvidos em diferentes frequências.
A audiometria mostra os sons mais baixos que consegue detectar e os resultados são representados num audiograma.
Dependendo da situação podem também ser necessários outros procedimentos.
O objectivo não é simplesmente confirmar:
“Sim, ouve pior.”
É perceber:
quanto;
em que frequências;
em que ouvido;
com que padrão;
e como isso se relaciona com as dificuldades que sente.
Se tiver presbiacusia vou precisar de aparelhos auditivos?
Não se pode responder apenas com base na idade.
Quando existe perda auditiva, a decisão sobre a melhor abordagem depende dos resultados da avaliação, do grau e configuração da perda e, sobretudo, das necessidades de comunicação da pessoa.
Os aparelhos auditivos são uma das opções utilizadas para ajudar muitas pessoas com perda auditiva, mas a solução deve ser escolhida depois de caracterizar a audição e perceber em que situações existe dificuldade. Instituto Nacional de Surdez
A sequência correcta é:
avaliar → compreender → decidir.
Não:
idade → aparelho.
E se eu já me habituei?
É precisamente isso que acontece muitas vezes.
Quando uma alteração aparece lentamente, criamos pequenas compensações:
aproximamo-nos;
olhamos mais para os lábios;
aumentamos a televisão;
pedimos para repetir;
escolhemos o lugar mais silencioso;
deixamos que outra pessoa faça determinadas chamadas;
evitamos algumas conversas.
Individualmente, nenhuma destas alterações parece muito importante.
Mas juntas podem mostrar que o quotidiano já está a ser organizado à volta da audição.
O que pode a família fazer?
A família costuma ter um papel importante porque pode reconhecer mudanças que a própria pessoa ainda não identificou.
Mas dizer constantemente:
“Tu não ouves nada.”
raramente ajuda.
É mais útil falar de situações concretas:
“Tenho reparado que ultimamente aumentas muito a televisão.”
ou:
“Nos jantares parece que tens mais dificuldade em acompanhar quando todos falamos.”
Durante as conversas, também ajuda estar de frente para a pessoa, reduzir ruído de fundo quando possível e falar com clareza sem transformar a conversa em gritos. Estas são também estratégias recomendadas pelo NIDCD para facilitar a comunicação. Instituto Nacional de Surdez
Quando devo avaliar a minha audição?
Não existe necessidade de esperar por uma determinada idade.
Se começou a notar uma mudança persistente, essa é razão suficiente.
Particularmente se:
- pede cada vez mais para repetir;
- as conversas com ruído se tornaram difíceis;
- aumentou bastante a televisão;
- sente que perdeu clareza nas palavras;
- familiares começaram a comentar;
- existe diferença entre os dois ouvidos;
- ou passou a evitar situações devido à dificuldade em acompanhar.
Uma avaliação permite perceber se realmente existe perda auditiva e quais são as suas características.
E se a perda surgir de repente?
Isto é diferente da perda auditiva relacionada com a idade.
A presbiacusia desenvolve-se tipicamente de forma gradual.
Uma perda de audição súbita, sobretudo num único ouvido, não deve ser atribuída simplesmente à idade e necessita de avaliação médica urgente.
Da mesma forma, uma deterioração rápida ou sintomas como vertigem marcada, dor, corrimento do ouvido ou outros sinais associados devem ser comunicados a um profissional de saúde.
Onde avaliar a audição em Alverca?
Se sente que a sua audição mudou com o passar dos anos, não precisa de decidir sozinho se é “normal para a idade”.
Pode ser apenas uma confirmação de que está tudo bem.
Pode revelar uma alteração que deve ser acompanhada.
Ou pode ajudar a compreender finalmente porque certas conversas se tornaram mais difíceis.
A idade pode explicar parte da história.
Mas primeiro precisamos de ouvir a sua.
Perguntas frequentes
O que é presbiacusia?
Presbiacusia é o termo utilizado para a perda auditiva relacionada com o envelhecimento. Normalmente desenvolve-se de forma gradual e tende a afectar os dois ouvidos. Instituto Nacional de Surdez
É normal ouvir pior depois dos 60 anos?
A perda auditiva torna-se mais frequente com o avançar da idade, mas uma dificuldade auditiva não deve ser automaticamente atribuída ao envelhecimento sem avaliação. Organização Mundial da Saúde
A presbiacusia começa pelos sons agudos?
Frequentemente, a perda auditiva relacionada com a idade afecta primeiro e de forma mais evidente as frequências altas, o que pode dificultar a distinção de determinados componentes da fala. Publicações ASHA
Porque ouço uma pessoa falar mas não percebo tudo?
Algumas partes da fala podem tornar-se menos audíveis do que outras. Assim, a voz continua presente, mas faltam pistas sonoras necessárias para distinguir correctamente determinadas palavras.
A perda auditiva relacionada com a idade pode afectar apenas um ouvido?
A presbiacusia é tipicamente bilateral. Uma diferença marcada entre os ouvidos deve ser referida durante a avaliação. Instituto Nacional de Surdez
Vou obrigatoriamente precisar de aparelhos auditivos?
Não. Primeiro é necessário avaliar a audição. A recomendação depende dos resultados, das dificuldades sentidas e das necessidades de comunicação de cada pessoa.
Uma perda súbita pode ser apenas da idade?
Não deve ser assumida como tal. A perda auditiva relacionada com a idade é habitualmente gradual. Uma redução súbita da audição necessita de avaliação médica rápida.
Na Audição+ em Alverca do Ribatejo pode avaliar a sua audição e perceber se as alterações que nota fazem parte do envelhecimento normal ou se justificam acompanhamento.
