Perda auditiva: tipos, graus e o que significam na prática
Duas pessoas podem dizer exactamente a mesma coisa:
“Tenho perda auditiva.”
E, ainda assim, terem situações completamente diferentes.
Uma pode ter dificuldade apenas em algumas frequências.
Outra pode ouvir pior de um único ouvido.
Uma terceira pode ter uma alteração ligeira, mas sentir enorme dificuldade em restaurantes.
E outra pode apresentar uma perda mais acentuada, mas já ter desenvolvido estratégias que lhe permitem comunicar relativamente bem em determinadas situações.
Isto acontece porque perda auditiva não é um diagnóstico igual para toda a gente.
Para compreender melhor um resultado auditivo, é necessário olhar para vários aspectos:
- o tipo de perda;
- o grau;
- as frequências afectadas;
- se envolve um ou os dois ouvidos;
- se é semelhante nos dois lados;
- e a forma como afecta a comunicação no dia-a-dia.
Vamos perceber o que tudo isto significa.
O que significa ter perda auditiva?
De forma simples, existe uma perda auditiva quando a capacidade de detectar determinados sons está abaixo dos valores considerados esperados.
Mas dizer apenas “existe perda auditiva” conta-nos muito pouco.
É necessário perceber onde ocorre a alteração e como se apresenta.
É precisamente essa informação que uma avaliação auditiva procura obter.
Quais são os principais tipos de perda auditiva?
De forma geral, distinguem-se três grandes tipos:
perda auditiva de transmissão ou condutiva;
perda auditiva neurossensorial;
perda auditiva mista.
A diferença está sobretudo na zona do sistema auditivo envolvida.
Perda auditiva de transmissão: quando o som tem dificuldade em chegar ao ouvido interno
Na perda auditiva de transmissão existe uma alteração no ouvido externo ou no ouvido médio que dificulta a passagem do som até ao ouvido interno.
Imagine o som a fazer um percurso.
Primeiro entra pelo ouvido.
Depois atravessa o canal auditivo, o tímpano e as estruturas do ouvido médio antes de chegar ao ouvido interno.
Se existir algum obstáculo ou alteração nesse trajecto, o som pode chegar com menor intensidade.
Entre as situações que podem estar associadas a este tipo de perda encontram-se, por exemplo:
- acumulação de cerúmen;
- alterações do tímpano;
- presença de líquido no ouvido médio;
- algumas infecções;
- alterações das estruturas do ouvido médio.
Isto não significa que todas estas situações provoquem sempre perda auditiva nem que possam ser identificadas apenas pelos sintomas.
É necessária avaliação.
Uma característica importante é que algumas causas de perda auditiva de transmissão podem ter tratamento médico ou outra intervenção específica.
Por isso, identificar correctamente o tipo de perda é fundamental.
Perda auditiva neurossensorial: quando a alteração está no ouvido interno ou nas vias nervosas
A perda auditiva neurossensorial ocorre quando existe alteração ao nível do ouvido interno – nomeadamente da cóclea – ou das estruturas nervosas envolvidas na transmissão da informação auditiva.
É um tipo muito frequente de perda auditiva permanente.
Pode estar associado, entre outros factores, ao envelhecimento, à exposição prolongada a ruído, a determinados medicamentos ou a outras condições.
Neste tipo de perda, o problema pode não ser apenas de volume.
É aqui que aparece tantas vezes a frase:
“Eu oiço. Só não percebo tudo.”
Isto ajuda a explicar porque aumentar simplesmente o volume nem sempre resolve todas as dificuldades.
O que é uma perda auditiva mista?
A perda auditiva mista combina componentes dos dois tipos anteriores.
Existe simultaneamente:
uma componente de transmissão, relacionada com o ouvido externo ou médio;
e uma componente neurossensorial, relacionada com o ouvido interno ou estruturas nervosas.
Por exemplo, uma pessoa que já apresenta uma perda auditiva neurossensorial pode desenvolver posteriormente uma alteração do ouvido médio.
Nesse caso, as duas componentes podem coexistir.
Mais uma vez, perceber o tipo de perda é importante porque diferentes componentes podem exigir abordagens diferentes.
E o que significa o grau da perda auditiva?
O grau descreve a intensidade da perda auditiva.
É frequente encontrar termos como:
- ligeira;
- moderada;
- severa;
- profunda.
Podem ainda existir categorias intermédias, dependendo do sistema de classificação utilizado.
Estes graus são definidos com base nos limiares auditivos medidos durante a audiometria.
Quanto maior for a intensidade necessária para conseguir detectar determinados sons, maior será o grau de perda nessa zona da audição.
No entanto, existe uma ideia importante:
o grau da perda não conta sozinho toda a história.
Uma perda auditiva ligeira pode causar dificuldades?
Sim.
A palavra “ligeira” pode levar a pensar:
“Então não é nada de especial.”
Mas o impacto real depende de vários factores.
Uma alteração relativamente pequena em frequências importantes para perceber determinados sons da fala pode tornar algumas conversas bastante mais exigentes.
Isso torna-se especialmente evidente:
- quando há ruído de fundo;
- quando várias pessoas falam;
- quando a voz está longe;
- quando não se consegue ver o rosto de quem fala;
- ou quando a pessoa fala de forma pouco clara.
Por isso, não devemos interpretar “ligeira” como sinónimo de “sem importância”.
Significa apenas que os limiares medidos se enquadram numa determinada categoria.
E uma perda moderada, severa ou profunda?
À medida que os limiares auditivos aumentam, uma maior parte da informação sonora pode tornar-se difícil de detectar sem apoio adequado.
Mas mesmo aqui existem grandes diferenças entre pessoas.
Duas pessoas classificadas dentro do mesmo grau podem ter:
diferentes frequências afectadas;
diferente capacidade de perceber fala;
um ouvido melhor do que o outro;
necessidades de comunicação muito distintas.
Por isso, a recomendação nunca deveria surgir apenas da palavra escrita num resultado.
É necessário olhar para o audiograma completo e para a pessoa que está à nossa frente.
O que significa a “configuração” da perda auditiva?
Além do tipo e do grau, também podemos falar da configuração.
A configuração corresponde à forma como a perda auditiva se distribui pelas diferentes frequências.
Por exemplo, uma pessoa pode ouvir relativamente bem os sons graves e apresentar maior perda nos sons agudos.
Outra pode apresentar resultados semelhantes em várias frequências.
Visualmente, estas diferenças aparecem no audiograma.
É por isso que dois audiogramas classificados com o mesmo “grau médio” podem ter formas bastante diferentes — e produzir dificuldades diferentes na vida real.
O que são frequências graves e agudas?
De forma simplificada, frequência corresponde àquilo que percebemos como sons mais graves ou mais agudos.
Uma voz contém informação distribuída por várias frequências.
Algumas componentes ajudam-nos a perceber que existe uma voz.
Outras ajudam-nos a distinguir com precisão determinados sons da fala.
É por isso que algumas pessoas conseguem ouvir perfeitamente que alguém está a falar, mas confundem palavras ou perdem pequenas partes das frases.
O problema não é necessariamente:
“Não consigo ouvir a voz.”
Pode ser:
“Não estou a receber todas as pistas necessárias para perceber claramente aquilo que foi dito.”
A perda auditiva pode afectar apenas um ouvido?
Sim.
Falamos em perda auditiva unilateral quando está afectado apenas um ouvido.
Quando os dois ouvidos apresentam perda, falamos em perda auditiva bilateral.
Ter uma audição diferente entre os dois lados pode interferir com várias situações do quotidiano, incluindo perceber de onde vem um som ou acompanhar conversas quando a pessoa que fala se encontra do lado do ouvido com maior dificuldade.
Por isso, numa avaliação auditiva, cada ouvido é testado separadamente.
E se os dois ouvidos tiverem resultados muito diferentes?
Também pode acontecer.
Quando existe uma diferença relevante entre os dois ouvidos, dizemos que existe uma perda auditiva assimétrica.
Essa diferença é informação clínica importante.
Dependendo das características e do historial da pessoa, pode justificar investigação ou avaliação médica adicional.
É uma das razões pelas quais não devemos limitar-nos a perguntar:
“Quanto é que perdeu?”
Também precisamos de saber:
“Em que ouvido, em que frequências e com que padrão?”
A perda auditiva pode piorar ao longo do tempo?
Algumas perdas auditivas mantêm-se relativamente estáveis.
Outras podem evoluir gradualmente.
Também existem alterações que podem variar ao longo do tempo.
É por isso que, em determinadas situações, pode fazer sentido comparar avaliações realizadas em momentos diferentes.
Se uma pessoa sente que a audição mudou desde o último teste, essa percepção deve ser referida durante a avaliação.
E se a audição desaparecer subitamente?
Uma perda de audição que surge de repente deve ser tratada de forma diferente de uma alteração que se foi instalando durante meses ou anos.
Uma perda auditiva súbita, sobretudo num ouvido, deve ser avaliada medicamente com urgência.
Não deve esperar simplesmente para ver se melhora nem marcar apenas uma avaliação auditiva de rotina.
A perda auditiva neurossensorial súbita é considerada uma situação que requer avaliação médica rápida.
O grau de perda auditiva determina se preciso de aparelho auditivo?
Não isoladamente.
O resultado da audiometria é muito importante, mas a eventual indicação de aparelhos auditivos deve considerar muito mais do que um único valor.
É necessário perceber:
- o tipo de perda;
- o grau;
- as frequências afectadas;
- a audição de cada ouvido;
- a compreensão da fala;
- as situações em que sente dificuldade;
- as necessidades de comunicação;
- e outros factores individuais.
Uma pessoa não usa aparelhos auditivos porque atingiu simplesmente determinado número num gráfico.
A decisão deve resultar de uma avaliação global.
Todas as perdas auditivas podem ser tratadas da mesma maneira?
Não.
E esta é talvez uma das ideias mais importantes deste artigo.
Dependendo da causa e do tipo de perda auditiva, a abordagem pode incluir diferentes caminhos.
Em determinadas situações pode existir uma causa que necessite de avaliação ou tratamento médico.
Noutras, poderão ser recomendadas estratégias de comunicação.
Quando existe indicação, podem ser consideradas soluções auditivas, incluindo aparelhos auditivos.
Por isso, tentar escolher uma solução antes de perceber exactamente qual é o problema começa pelo lado errado.
Primeiro avaliamos. Depois decidimos.
Como sei que tipo de perda auditiva tenho?
Não é possível determinar o tipo e o grau de perda apenas pela forma como sente os sintomas.
Dizer:
“Tenho dificuldade em perceber.”
ou:
“Ouço pior do lado esquerdo.”
é informação extremamente útil.
Mas não é suficiente para identificar a causa.
Uma avaliação auditiva permite medir a audição dos dois ouvidos e obter informação que ajuda a caracterizar a alteração.
Se necessário, poderão ser recomendados outros exames ou avaliação médica.
Onde posso avaliar uma possível perda auditiva em Alverca?
Se começou a notar dificuldades em ouvir ou compreender conversas, pode realizar uma avaliação auditiva na Audição+, em Alverca.
O primeiro objectivo não é escolher aparelhos auditivos.
É perceber:
se existe uma alteração, que tipo de alteração é e como está a afectar a sua audição.
A partir daí, é possível explicar os resultados e definir os passos seguintes de forma adequada ao seu caso.
Perguntas frequentes
Quais são os principais tipos de perda auditiva?
Os três principais tipos são a perda auditiva de transmissão ou condutiva, a perda auditiva neurossensorial e a perda auditiva mista.
O que significa perda auditiva ligeira?
Significa que os limiares auditivos se encontram dentro de uma determinada faixa de intensidade. Contudo, uma perda classificada como ligeira pode provocar dificuldades reais, sobretudo na compreensão da fala em ambientes ruidosos.
Qual é a diferença entre perda auditiva e surdez?
“Perda auditiva” engloba diferentes graus de alteração da audição, desde alterações menos acentuadas a perdas profundas. Na prática clínica e na comunicação quotidiana, a terminologia pode variar conforme o contexto.
É possível ter perda auditiva apenas num ouvido?
Sim. Quando apenas um ouvido é afectado denomina-se perda auditiva unilateral. É importante avaliar individualmente os dois ouvidos.
Uma perda auditiva neurossensorial tem cura?
Depende da causa e das características da alteração. Muitas perdas neurossensoriais permanentes não são reversíveis através de tratamento médico ou cirúrgico, mas podem existir formas de reduzir o impacto que provocam na comunicação.
Ter perda auditiva significa que vou precisar de aparelho?
Não necessariamente. A indicação depende do tipo e grau da alteração, das dificuldades sentidas, das necessidades de comunicação e de outros factores encontrados durante a avaliação.
O que devo fazer se perder audição de repente?
Uma perda auditiva súbita deve ser avaliada medicamente com urgência, sobretudo quando afecta apenas um ouvido.
Na Audição+ em Alverca do Ribatejo pode fazer uma avaliação auditiva e perceber melhor o tipo e o grau da sua perda auditiva, com acompanhamento personalizado.
