Como escolher aparelhos auditivos: o que realmente importa?
Pequeno ou atrás da orelha?
Recarregável ou a pilhas?
Com Bluetooth?
Mais discreto?
Mais tecnológico?
Mais caro?
Quando começamos a procurar aparelhos auditivos, rapidamente aparecem dezenas de modelos, funcionalidades e termos técnicos.
É fácil transformar a decisão numa comparação de equipamentos.
Mas existe uma questão mais importante do que todas essas:
em que situações precisa de ouvir melhor?
Porque escolher aparelhos auditivos não deve começar pela marca, pelo tamanho ou pelo preço.
Deve começar por perceber como está a sua audição e o que precisa que a solução faça no seu quotidiano.
Não existe um aparelho auditivo “melhor” para toda a gente
Se existisse um único aparelho auditivo claramente superior a todos os outros, escolher seria simples.
Não é assim.
Duas pessoas podem ter perdas auditivas semelhantes e necessidades completamente diferentes.
Uma pode passar grande parte do dia em ambientes tranquilos.
Outra trabalha num espaço com várias pessoas.
Uma utiliza muito o telefone.
Outra raramente faz chamadas.
Uma frequenta restaurantes, reuniões e eventos.
Outra precisa sobretudo de conversar tranquilamente em casa com a família.
Por isso, o aparelho adequado não depende apenas de quanto ouve.
Depende também de onde, como e com quem precisa de ouvir.
1. O primeiro critério é a sua audição
Antes de escolher um aparelho, é necessário perceber qual é a situação auditiva.
A avaliação permite conhecer aspectos como:
- o tipo de perda auditiva;
- o grau;
- as frequências afectadas;
- a audição de cada ouvido;
- eventuais diferenças entre os dois lados;
- e as dificuldades sentidas na compreensão da fala.
Essas informações ajudam a perceber quais as soluções tecnicamente adequadas.
Um aparelho que funciona bem para uma determinada configuração de perda auditiva pode não ser a escolha indicada para outra.
É por isso que começar por escolher um modelo antes de avaliar a audição é inverter a ordem do processo.
Primeiro avaliamos. Depois escolhemos.
2. Pense onde sente realmente dificuldade
Imagine duas pessoas.
Pessoa A
Ouve relativamente bem em casa.
Tem sobretudo dificuldade quando vai jantar com a família e estão seis pessoas à mesa.
Pessoa B
Conversa bem em grupo, mas passa várias horas por dia ao telefone e participa frequentemente em reuniões profissionais.
Ambas podem dizer:
“Preciso de ouvir melhor.”
Mas aquilo que exigem dos aparelhos é diferente.
Por isso, durante a escolha, é extremamente importante identificar os ambientes auditivos do quotidiano.
Pergunte a si próprio:
Onde tenho mais dificuldade?
Em casa?
No trabalho?
No carro?
Ao telefone?
Num restaurante?
Na televisão?
Com os netos?
Em reuniões?
Num grupo grande?
Na rua?
Essas respostas podem ser tão importantes como algumas das características técnicas do próprio aparelho.
3. O nível tecnológico deve corresponder à sua vida
Os aparelhos auditivos digitais podem incluir diferentes níveis de tecnologia e processamento.
Dependendo do equipamento, podem existir funções destinadas a ajudar na gestão de situações como:
- ruído de fundo;
- conversas em grupo;
- diferentes direcções de fala;
- vento;
- mudanças de ambiente;
- transmissão de áudio;
- utilização do telefone.
Um nível tecnológico superior pode oferecer processamento mais sofisticado ou funcionalidades adicionais.
Mas isso não significa automaticamente que todas as pessoas necessitem do nível mais elevado.
Se uma determinada funcionalidade não acrescenta benefício relevante ao seu quotidiano, pagar mais por ela não transforma necessariamente a solução numa melhor escolha para si.
A pergunta deve ser:
“Que tecnologia me ajuda nas situações onde realmente tenho dificuldade?”
4. Mais caro não significa automaticamente mais adequado
O preço é naturalmente um factor importante.
Mas não deve ser utilizado isoladamente para determinar a escolha.
Um aparelho mais caro pode disponibilizar tecnologia adicional.
Um aparelho mais simples pode satisfazer perfeitamente as necessidades de outra pessoa.
Por isso, comparar apenas:
“Este custa X e aquele custa Y.”
é insuficiente.
É necessário perceber:
- que tecnologia está incluída;
- para que situações foi recomendada;
- que serviços acompanham a solução;
- que garantia existe;
- que ajustes estão incluídos;
- e se essas diferenças fazem sentido para a pessoa que vai utilizar o aparelho.
O objectivo não é encontrar simplesmente o aparelho mais caro que consegue comprar.
É encontrar a solução que justifica aquilo que custa para as suas necessidades reais.
5. O aparelho mais pequeno não é necessariamente o melhor
É perfeitamente compreensível querer um aparelho discreto.
Muitas pessoas começam precisamente por perguntar:
“Qual é o mais pequeno que têm?”
Existem actualmente soluções muito discretas, incluindo modelos colocados parcialmente ou totalmente dentro do canal auditivo.
Mas reduzir o tamanho implica compromissos.
Um aparelho muito pequeno pode:
- ser mais difícil de colocar e retirar;
- ter controlos mais pequenos;
- oferecer menos espaço para determinados componentes;
- apresentar limitações de potência em alguns casos;
- não ser adequado à anatomia de todos os ouvidos;
- ou simplesmente não ser a solução mais prática para determinada pessoa.
Por outro lado, muitos aparelhos colocados atrás da orelha são actualmente muito pequenos e discretos.
Por isso, discrição deve ser um critério — não o único critério.
6. A facilidade de utilização é mais importante do que parece
Imagine escolher um aparelho excelente no papel que depois evita utilizar porque é difícil de colocar.
Ou porque não consegue trocar a pilha.
Ou porque os controlos são demasiado pequenos.
Ou porque tem dificuldade em fazer a manutenção.
A destreza das mãos, a visão e a facilidade com que consegue manipular pequenos componentes devem ser consideradas.
Especialmente para pessoas com dificuldade fina de movimentos, pode fazer sentido privilegiar soluções mais simples de manusear.
Um aparelho auditivo só consegue ajudar quando é efectivamente utilizado.
Por isso, conveniência e facilidade de utilização são características importantes da escolha.
7. Recarregável ou a pilhas?
Actualmente existem aparelhos auditivos recarregáveis e outros que utilizam pilhas substituíveis.
Não existe uma resposta universalmente correcta.
Um aparelho recarregável pode ser interessante se:
prefere simplesmente colocá-lo no carregador ao final do dia;
não quer manipular pilhas pequenas;
tem dificuldade de destreza;
ou valoriza uma rotina simples de carregamento.
Um aparelho a pilhas pode fazer sentido se:
prefere poder substituir imediatamente a fonte de energia;
passa períodos prolongados sem acesso fácil a carregamento;
ou se esse formato se adapta melhor ao equipamento escolhido.
Mais uma vez, a pergunta não é:
“Qual é melhor?”
É:
“Qual é mais prático para mim?”
8. Preciso de Bluetooth?
Depende.
Em aparelhos compatíveis, a conectividade pode permitir diferentes utilizações, consoante o modelo e o telemóvel.
Por exemplo:
- receber chamadas;
- transmitir áudio;
- ouvir conteúdos do telefone;
- utilizar uma aplicação para determinados controlos;
- ou ligar a acessórios compatíveis.
Para alguém que utiliza intensamente o smartphone, pode ser uma funcionalidade muito valorizada.
Para outra pessoa, pode ter pouca importância.
Não escolha tecnologia apenas porque aparece numa lista de especificações.
Pergunte:
“Vou realmente usar isto?”
9. E uma aplicação no telemóvel?
Alguns aparelhos disponibilizam aplicações através das quais é possível executar determinadas funções.
Dependendo do sistema, pode ser possível ajustar volume, seleccionar programas ou consultar determinadas informações.
Mas não é obrigatório gostar de tecnologia para utilizar aparelhos auditivos.
Se prefere uma utilização simples e sem smartphone, isso deve ser tido em conta desde o início.
A solução deve adaptar-se à pessoa.
Não deve ser a pessoa a ter de reorganizar a vida para se adaptar à tecnologia.
10. Um ou dois aparelhos?
Quando existe perda auditiva nos dois ouvidos e a situação é adequada a adaptação bilateral, poderá ser recomendada a utilização de dois aparelhos.
A audição com os dois ouvidos participa em tarefas importantes como perceber fala e identificar a proveniência dos sons.
Mas a decisão depende sempre dos resultados de cada pessoa.
Não devemos concluir automaticamente:
“Dois ouvidos, dois aparelhos.”
Nem:
“Um aparelho chega.”
É necessário olhar para a audição individual de cada lado e para as necessidades encontradas durante a avaliação.
11. O conforto físico também conta
Um aparelho auditivo pode ser tecnicamente muito adequado e, ainda assim, necessitar de adaptação física correcta.
É necessário considerar:
- anatomia da orelha;
- canal auditivo;
- formato do aparelho;
- molde ou dome utilizado;
- sensação de ouvido tapado;
- facilidade de colocação;
- utilização de óculos;
- e conforto ao longo do dia.
Um dispositivo destinado a ser utilizado durante muitas horas deve ser confortável.
Se algo incomoda, não deve simplesmente assumir que “é assim mesmo”.
Há situações em que é possível ajustar a adaptação física.
12. Usar óculos impede usar aparelhos atrás da orelha?
Na maioria das situações, não.
Muitas pessoas utilizam óculos e aparelhos auditivos diariamente.
Pode ser necessário encontrar uma posição confortável entre a haste dos óculos e o aparelho e considerar o formato do equipamento.
É precisamente neste tipo de detalhe que experimentar diferentes soluções pode ser útil.
13. A programação pode ser tão importante como o aparelho
Dois aparelhos do mesmo modelo podem proporcionar experiências diferentes se estiverem configurados para pessoas diferentes.
Isso acontece porque a programação deve considerar a perda auditiva individual.
O objectivo não é simplesmente:
“aumentar o volume.”
É ajustar a amplificação e o processamento de forma adequada ao perfil auditivo.
E a primeira programação pode não ser a última.
Depois de começar a utilizar os aparelhos no quotidiano, pode existir necessidade de aperfeiçoar determinados ajustes.
É por isso que a adaptação não termina necessariamente no dia em que recebe o aparelho.
14. O acompanhamento faz parte da escolha
Esta é uma parte que pode passar despercebida quando comparamos fichas técnicas online.
Mas um aparelho auditivo vai ser utilizado no mundo real.
E no mundo real surgem perguntas:
“Porque este som parece demasiado forte?”
“Porque percebo melhor em casa do que no restaurante?”
“Estou a colocar correctamente?”
“Preciso de outro programa?”
“Como limpo isto?”
“O que significa este aviso?”
“Porque o ouvido esquerdo parece diferente?”
Ter acompanhamento permite avaliar estas situações e efectuar ajustes quando necessários.
Por isso, antes de escolher, pergunte também:
“O que acontece depois de levar os aparelhos para casa?”
15. A garantia e manutenção também devem ser comparadas
Ao avaliar uma solução, não olhe apenas para o equipamento.
Pergunte:
- qual é o período de garantia;
- o que cobre;
- como funcionam as reparações;
- que manutenção é necessária;
- quais são os consumíveis;
- se existem custos adicionais;
- e que acompanhamento está incluído.
Estes elementos podem alterar bastante o valor real de duas propostas aparentemente semelhantes.
16. Devo escolher pela marca?
A marca pode ser uma informação relevante.
Mas não deve ser o ponto de partida.
Existem diferentes fabricantes e plataformas tecnológicas, cada um com soluções e características próprias.
Contudo, saber que determinado familiar usa uma marca e está satisfeito não significa automaticamente que o mesmo aparelho será ideal para si.
A audição é diferente.
O ouvido é diferente.
O quotidiano é diferente.
As prioridades também podem ser.
A pergunta mais útil não é:
“Qual é a melhor marca?”
Mas:
“Que solução é adequada para a minha audição e para aquilo que preciso de fazer?”
17. E se eu quiser que ninguém perceba que estou a usar aparelho?
Diga-o.
A estética e a discrição também são preferências legítimas e devem fazer parte da conversa.
Hoje existem diferentes formatos e acabamentos bastante discretos.
Mas vale a pena equilibrar essa preferência com:
- características da perda;
- conforto;
- autonomia;
- manuseamento;
- potência;
- conectividade;
- e restantes funcionalidades necessárias.
Pode descobrir que a solução mais adequada é suficientemente discreta sem ter de escolher obrigatoriamente o aparelho mais pequeno disponível.
18. Posso experimentar antes de escolher definitivamente?
Esta é uma das melhores formas de perceber se uma solução funciona para si.
Uma consulta acontece num ambiente controlado.
A vida não.
Por isso, experimentar aparelhos no quotidiano permite observar aquilo que realmente interessa:
Como corre uma conversa em casa?
E no café?
Percebo melhor a televisão?
Como corre o jantar com a família?
É confortável ao fim de várias horas?
Consigo colocá-lo facilmente?
Como é utilizar o telefone?
19. Que perguntas devo fazer antes de decidir?
Se está a comparar soluções, leve estas perguntas consigo:
Este aparelho é adequado à minha perda auditiva?
Porque me está a recomendar este modelo?
Que diferenças vou provavelmente notar entre esta opção e outra mais simples?
Quais das funcionalidades vou realmente utilizar?
É recarregável ou utiliza pilhas?
É compatível com o meu telemóvel?
É fácil de colocar e retirar?
Posso experimentar antes de decidir?
Que acompanhamento está incluído?
Os ajustes futuros estão incluídos?
Qual é a garantia?
Que custos de manutenção devo esperar?
O preço apresentado é por um aparelho ou pelos dois?
Uma boa escolha deve conseguir ser explicada.
Não apenas apresentada.
20. Então, qual é o melhor aparelho auditivo?
O melhor aparelho auditivo não é necessariamente:
o mais pequeno;
o mais caro;
o mais recente;
o que tem mais funcionalidades;
ou aquele que alguém conhecido utiliza.
É aquele que consegue reunir várias coisas ao mesmo tempo:
ser adequado à sua perda auditiva;
ajudá-lo nas situações onde sente dificuldade;
ser confortável;
ser suficientemente simples para utilizar diariamente;
ter funcionalidades que realmente lhe sejam úteis;
e estar acompanhado por uma adaptação e acompanhamento adequados.
É isso que transforma um equipamento numa solução.
Por onde começar?
Se ainda não sabe que tipo de aparelhos auditivos deve escolher, não comece por tentar comparar dezenas de modelos.
Comece pela sua audição.
Na Audição+, em Alverca, podemos avaliar as suas necessidades, explicar as diferentes opções e ajudá-lo a perceber quais fazem sentido para o seu quotidiano.
Depois, pode experimentar a solução em situações reais antes de tomar a decisão final.
Porque escolher aparelhos auditivos não deveria ser uma pergunta sobre qual aparelho tem mais tecnologia.
Deveria começar por outra:
“Onde quero voltar a ouvir melhor?”
Perguntas frequentes
Qual é o melhor aparelho auditivo?
Não existe um aparelho auditivo que seja o melhor para todas as pessoas. A escolha depende da perda auditiva, necessidades de comunicação, estilo de vida, conforto, facilidade de utilização e funcionalidades pretendidas.
Um aparelho auditivo mais caro é sempre melhor?
Não necessariamente para as suas necessidades. Um equipamento mais caro pode disponibilizar tecnologia adicional, mas isso só é relevante se essas características trouxerem benefício nas situações em que precisa de ouvir melhor.
É melhor um aparelho dentro ou atrás da orelha?
Depende da perda auditiva, anatomia, potência necessária, conforto, facilidade de manuseamento e preferências da pessoa. Nenhum dos formatos é universalmente superior.
Aparelho recarregável ou a pilhas: qual escolher?
Ambos podem ser adequados. A escolha depende sobretudo da rotina e facilidade de utilização de cada pessoa.
Preciso de Bluetooth num aparelho auditivo?
Não obrigatoriamente. Pode ser útil para quem pretende ligar os aparelhos ao telemóvel ou utilizar transmissão de áudio, mas não é uma necessidade universal.
Posso usar aparelhos auditivos com óculos?
Sim. Muitas pessoas utilizam ambos. A escolha e posicionamento do aparelho devem proporcionar conforto durante a utilização conjunta.
Preciso de dois aparelhos auditivos?
Depende dos resultados auditivos dos dois ouvidos e da indicação para cada caso. Quando existe perda bilateral, a possibilidade de adaptação nos dois ouvidos deve ser avaliada individualmente.
Posso experimentar aparelhos auditivos antes de decidir?
Na Audição+ pode experimentar aparelhos auditivos durante 15 dias, permitindo avaliar a solução nas situações reais do seu quotidiano.
Na Audição+ em Alverca do Ribatejo ajudamos a comparar diferentes opções e a escolher uma solução ajustada à sua audição, rotina e preferências.
