Quanto tempo demora a habituar-se aos aparelhos auditivos?
Colocar aparelhos auditivos pela primeira vez não significa que tudo passe imediatamente a soar natural.
Nos primeiros dias, alguns sons podem parecer demasiado presentes. A própria voz pode soar diferente. O ruído dos talheres, da água a correr, dos passos no chão ou até do papel a mexer pode chamar muito mais a atenção do que antes.
Isto não significa necessariamente que exista alguma coisa errada.
A adaptação aos aparelhos auditivos é geralmente um processo gradual. O cérebro precisa de voltar a lidar com sons que, em alguns casos, deixou de receber com a mesma intensidade durante bastante tempo.
Não existe, no entanto, um prazo igual para toda a gente. Algumas pessoas sentem-se confortáveis rapidamente; outras precisam de várias semanas e de alguns ajustes até que a experiência se torne mais natural.
A adaptação pode decorrer ao longo de várias semanas e, em algumas pessoas, prolongar-se durante alguns meses.
O mais importante é perceber o que pode fazer parte da habituação normal — e o que justifica rever o ajuste dos aparelhos.
Porque é que os aparelhos podem soar estranhos no início?
Quando existe uma perda auditiva que se instalou progressivamente, algumas frequências e sons podem ter ficado menos presentes no quotidiano sem que a própria pessoa tenha consciência disso.
Ao começar a usar aparelhos auditivos, esses sons voltam a tornar-se mais audíveis.
De repente, pode notar:
- o ruído dos passos;
- roupa a roçar;
- louça e talheres;
- água a correr;
- pássaros;
- indicadores sonoros de electrodomésticos;
- trânsito;
- a própria respiração;
- sons de fundo que anteriormente passavam despercebidos.
Inicialmente, o cérebro ainda não está habituado a atribuir a mesma importância relativa a toda esta informação.
Por isso, algo perfeitamente normal pode parecer excessivamente evidente durante os primeiros dias.
Com utilização regular, muitos destes sons tendem a deixar de chamar tanto a atenção à medida que passam novamente a fazer parte do ambiente auditivo habitual.

Quanto tempo demora a adaptação aos aparelhos auditivos?
Não existe uma resposta universal.
A experiência depende de vários factores, incluindo o grau e características da perda auditiva, há quanto tempo existe a dificuldade, as situações de escuta mais frequentes, o tipo de adaptação e a experiência prévia com aparelhos auditivos.
Na prática, a adaptação pode decorrer ao longo de várias semanas e, em algumas pessoas, prolongar-se durante alguns meses.
Isto é precisamente o motivo pelo qual não faz sentido avaliar toda a experiência apenas pelas primeiras horas de utilização.
Os primeiros dias
Nesta fase, a principal novidade costuma ser simplesmente a quantidade de informação sonora.
A casa pode parecer mais ruidosa. A própria voz pode soar diferente. Alguns pequenos sons ganham uma presença inesperada.
É também nesta fase que a pessoa está a aprender aspectos muito práticos:
- colocar e retirar os aparelhos;
- perceber se estão correctamente posicionados;
- carregá-los;
- integrá-los na rotina diária.
Não é necessário que tudo pareça imediatamente natural.
As primeiras semanas
Com utilização consistente, muitos sons começam a tornar-se menos surpreendentes.
A pessoa também ganha experiência em situações diferentes: conversar em casa, ir às compras, andar na rua, estar com familiares ou participar numa refeição com várias pessoas.
Estas experiências são importantes porque permitem perceber não só como os aparelhos funcionam num ambiente silencioso, mas também onde podem ser necessários ajustes.
Depois de algumas semanas
Nesta altura, já existe normalmente muito mais informação para avaliar a adaptação.
Que situações melhoraram?
Em quais continua a ser difícil compreender a fala?
Existem sons desconfortáveis?
A própria voz continua demasiado estranha?
Há alguma situação específica em que os aparelhos parecem não ajudar?
Estas observações são úteis no acompanhamento, porque a adaptação não depende apenas de “aguentar até habituar”. O ajuste dos aparelhos também pode precisar de ser revisto.
A própria voz soa estranha. É normal?
É uma das observações mais frequentes de quem começa a usar aparelhos auditivos.
A voz pode parecer:
- mais forte;
- diferente;
- abafada;
- demasiado presente dentro da cabeça.
Alguma estranheza inicial pode fazer parte da adaptação.
Mas isso não significa que tenha de aceitar indefinidamente uma voz muito desconfortável.
Se continuar a incomodar, vale a pena referi-lo no acompanhamento.
E se tudo parecer demasiado alto?
Também pode acontecer.
Depois de um período em que determinados sons eram pouco audíveis, recuperá-los pode criar inicialmente a sensação de que o mundo ficou muito mais ruidoso.
Existe, contudo, uma diferença importante entre:
“Este som chama-me mais a atenção do que estava habituado”
e
“Este som é desagradavelmente ou intoleravelmente alto.”
A primeira situação pode fazer parte da adaptação.
A segunda merece ser avaliada.
Os aparelhos auditivos são ajustados de acordo com as necessidades auditivas individuais, mas a experiência real no quotidiano fornece informação adicional muito importante.
Se certos sons estiverem persistentemente desconfortáveis ou dificultarem a utilização dos aparelhos, não é boa estratégia guardá-los numa gaveta e desistir. O ajuste deve ser revisto.
Usá-los apenas quando é preciso dificulta a adaptação?
Em muitos casos, sim.
Pode ser tentador colocar os aparelhos apenas para um almoço de família, uma reunião ou quando se vai ver televisão.
O problema é que estas são frequentemente situações auditivamente exigentes.
Se o cérebro ainda está pouco familiarizado com o som proporcionado pelos aparelhos, utilizá-los apenas nas situações mais difíceis pode tornar a experiência mais frustrante.
A utilização consistente é geralmente recomendada durante o processo de adaptação, embora a forma como essa utilização é introduzida possa ser individualizada.
O objectivo não é transformar a adaptação numa prova de resistência.
É permitir que os aparelhos façam parte de situações reais suficientes para que seja possível aprender, comparar e ajustar.
O ruído continua difícil mesmo com aparelhos?
Pode continuar.
Os aparelhos auditivos modernos conseguem processar o som de formas muito sofisticadas, mas não transformam todos os ambientes ruidosos em ambientes silenciosos.
Um restaurante cheio, uma mesa onde várias pessoas falam simultaneamente ou um espaço com muita reverberação continua a representar um desafio auditivo.
É por isso que a pergunta correcta não é apenas:
“Consigo ouvir mais?”
Também interessa perceber:
“Consigo compreender melhor as pessoas nas situações que são importantes para mim?”
São coisas relacionadas, mas não exactamente iguais.
A adaptação não significa suportar um aparelho mal ajustado
Esta distinção é fundamental.
Alguma estranheza inicial pode ser normal.
Dor, desconforto persistente, som intolerável ou problemas que impedem uma utilização razoável não devem simplesmente ser atribuídos à necessidade de “habituação”.
Deve pedir acompanhamento se, por exemplo:
- o aparelho causa dor ou desconforto persistente;
- alguns sons são consistentemente demasiado intensos;
- existe assobio frequente;
- não consegue colocar o aparelho correctamente;
- a própria voz continua muito incómoda;
- sente que determinada situação ficou particularmente difícil;
- deixou de usar os aparelhos porque a experiência é desagradável.
O acompanhamento permite perceber se estamos perante uma parte normal do processo de adaptação ou se existe algo que pode ser melhorado através de ajuste, posicionamento, configuração ou orientação de utilização.
Porque é útil experimentar os aparelhos no seu próprio dia-a-dia?
Uma demonstração num ambiente calmo pode dar uma primeira impressão.
Mas não reproduz necessariamente aquilo que acontece na sua vida.
É em casa que percebe como soa a televisão.
É numa conversa familiar que percebe se acompanha melhor as vozes.
É na rua que nota o trânsito.
É num café ou restaurante que descobre como reage ao ruído.
É no final de várias horas de utilização que percebe o conforto.
Por isso, experimentar aparelhos auditivos em situações reais fornece informação muito mais útil do que formar uma opinião apenas nos primeiros minutos.
Na Audição+ existe a possibilidade de experimentar aparelhos auditivos durante 15 dias, permitindo conhecer a solução no contexto do seu quotidiano.
Esses 15 dias não significam necessariamente que todo o processo de adaptação esteja terminado. A habituação completa pode prolongar-se por várias semanas.
Servem, contudo, para começar a perceber como é ouvir com os aparelhos nas situações que realmente fazem parte da sua vida.
Pequenas observações ajudam muito durante a adaptação
Não precisa de analisar cada segundo de utilização.
Mas pode ser útil reparar em algumas situações concretas.
Por exemplo:
“Consigo acompanhar melhor a conversa ao jantar.”
“A televisão está mais confortável, mas a minha voz ainda me incomoda.”
“No café continuo a ter dificuldade em perceber quem está à minha frente.”
“O som da louça parece demasiado intenso.”
“Depois de algumas horas esqueço-me de que tenho os aparelhos colocados.”
Informação deste género é muito mais útil num acompanhamento do que simplesmente dizer que os aparelhos estão “bons” ou “maus”.
Permite identificar o contexto exacto em que existe uma dificuldade e avaliar se é necessário algum ajuste.
Não compare a sua adaptação com a de outra pessoa
Duas pessoas podem começar a utilizar aparelhos auditivos na mesma semana e ter experiências completamente diferentes.
Uma pode sentir melhoria imediata em várias situações.
Outra pode precisar de mais tempo para se habituar aos sons.
Uma pode quase não reparar na própria voz.
Outra pode achá-la muito estranha inicialmente.
Uma pode sentir-se confortável num restaurante.
Outra pode continuar a ter dificuldade nesse ambiente.
Isto não significa automaticamente que um aparelho seja melhor ou pior.
A perda auditiva, o processamento da fala, as necessidades quotidianas e as expectativas são individuais.
É por isso que uma avaliação auditiva e a escolha individualizada da solução são importantes antes de iniciar a adaptação.
O objectivo não é ouvir “mais”. É ouvir melhor no seu quotidiano.
A adaptação aos aparelhos auditivos raramente se resume ao momento em que são colocados nos ouvidos.
É um processo.
O cérebro volta a receber informação sonora. A pessoa aprende a utilizar os aparelhos. Os ambientes do quotidiano revelam necessidades diferentes. E, quando necessário, o ajuste pode ser aperfeiçoado.
Nas primeiras horas pode existir surpresa.
Nos primeiros dias, estranheza.
Ao longo das semanas, o importante é perceber se a utilização está a tornar a comunicação mais fácil e se os aparelhos estão progressivamente a integrar-se na rotina.
Se procura acompanhamento e aparelhos auditivos em Alverca, pode conhecer a abordagem da Audição+ e esclarecer as suas dúvidas antes de decidir.
Se está a ponderar utilizar aparelhos auditivos, não precisa de decidir com base numa demonstração de poucos minutos.
Pode experimentar, observar como se sente nas situações que realmente importam e esclarecer as dúvidas que forem surgindo.
Ainda não sabe como será ouvir com aparelhos auditivos no seu dia-a-dia?
Na Audição+ pode experimentar a solução em situações reais e esclarecer connosco as dúvidas que forem surgindo.
